segunda-feira, 17 de março de 2008

1º pergaminho: Frutos da Guerra


Dormimos na biblioteca de Krauter. Eu e Lurya passamos a noite vasculhando sobre Theron e encontramos seus pergaminhos, pedaços de sua história que ele envia de tempos em tempos para casa. Começa com este:


“Dias de ruína, noites de glória.
Minha alma pede por redenção.
Somos apenas detalhes da história,
Sob morte, fogo e paixão”. _Urien I


"Acordei durante um sonho estranho, sonho de dragão, sobre fogo e sangue, morte e carne. Antes de olhar pela janela pétrea de cortinas grossas, passei a mão sob minha longa trança, que cultivava desde que me dei por mim. De olhos arregalados tento ver além do escuro do quarto longo e gelado que me encontro. Um singelo facho da luz da lua se posta aos pés de minha cama, entre meu dormitório e o de Ichor. As cortinas vermelhas balançam e deixam à mostra parte do resto do quarto.
Paredes altas, cinco ou seis vezes maiores que eu em altura, de pedra cinza, como eram os castelos naquela época. Eu conhecia cada centímetro daquele lugar, mesmo no escuro, e sabia que Mellany se deitava a cinco passos de minha direita. Sentia um cheiro de carniça no ar e pensei que talvez fosse os restos da barbárie de ontem, mas não era, e nem me dei conta disso novamente naquele momento.


_Ichor, acorda logo! – e eu o sacudia pelos cabelos.
_O que? O que? Já é manhã? Papai está a chamar para a cavalgada?
_Não! Tive um sonho... Sonho de dragão que tenho... Você sabe...
_Ah, Theron... Toda vez tem que me acordar? Vá falar com tua irmã favorita!
_Sim, sei que disse isso ontem, mas tu és meu melhor irmão! Homem, claro... Veja, tu és o único que tem maturidade como eu! – eu sorria falso tentando convencê-lo e meus dentes reluziam de azul claro.
_Vá procurar papai! A essas horas ele deve estar a beber e a comemorar a rendição dos guerreiros de Auter. Tu, que gostas de conhaques e cervejas, que vá... – Ichor tinha um tom perspicaz e desafiador comigo a essas horas da noite.
_ Já disse que gosto do CHEIRO dos conhaques do papai... Não me chame de beberrão, não tenho idade ainda para isso!
_Pois não é o que tu dizias na semana passada! – Meu irmão mais velho sempre pensava demais, não entendo como ele poderia ser rei!
_Oras! Já bebeste dos conhaques Russos que papai guarda com carinho? O mais leve cheiro daquele líquido já o embriaga, imagina quando se toma uma dose então! E além do mais, papai me enganou aquela noite, ele me deu da fada e não do bode.
_Ah, Theron! Tu não cansas de discutir e argumentar... Diga o que quer de minha pobre alma essa noite?
_Ah, querido irmão! Quero que venhas comigo até fora do castelo...
_Está um frio terrível! O que queres fora do castelo?
_Sinto cheiro de carniça, devem estar amontoando os restos da barbárie! Vamos, talvez consigamos algum elmo de um capitão ou sua espada ou escudo! Quero completar meu colar com um olho vermelho, esses ‘povos silvestres’ costumam ter olhos assim pelo que ouvi dizer!
_Éeeaah! Isso seria uma boa idéia! Ainda preciso de anéis que não sejam com o símbolo real! Mas será que tais olhos ‘preciosos’, que procuras há tanto tempo serão encontrados no meio de uma pilha de corpos de homens do mato?
_Mas é claro que sim! Eles conquistam, acumulam as riquezas dos reinos que derrotam claro! Imagino o que eles não terão lá!


Irmãos se arrumam cautelosamente em meio aos fachos de luz azul que penetrava até o fundo do aeon. Imp (ar) rodeando e trazendo mais fortemente o cheiro ascendente da morte evidente, uma visão de um futuro recente pronto para disparar um gatilho, desencadeando uma série de acontecimentos vistosos e não comuns.


_Onde vocês dois querem ir a essas... Noites? A Una ainda nos cobre com seu véu...
_Shhhh! Lilith! Ninguém sabe de nada! Shh! – Lilith não era seu nome, a branquela fazia questão de ser chamada assim quando mais nova. A cerimônia das Revedances que iria determinar seu nome verdadeiro ocorreria só daqui há 2 semanas.
_Que putrefato cheiro é este?
_Devem ser os corpos queimando lá embaixo! Theron disse algo sobre bárbaros... Nós vamos lá para ver com nossos próprios olhos.
_E o que esperam encontrar em meio aos corpos mortos? Já não se cansam de ver mortes nas Liças?
_Vamos perscrutar o que pode ser de interesse real nesse caso fatídico. Não conte nada a ninguém, votaremos rápido.


Eu e Ichor saímos no corredor estreito logo fora do quarto, à direita as escadas para baixo e à esquerda as escadas para cima. Fui à frente, mal vendo o caminho a essas horas da noite.
Descendo as escadas o cheiro ia só piorando. Nos andares abaixo é estranho, não há criados fazendo atividades noturnas. As escadas, sempre em espiral com corrimão de metal, impedem a visão de onde estamos indo. Por isso o segredo durou mais alguns minutos. E alguns andares até que uma das salas estivesse acesa.


_Ichor! SHhh! SUBA! IDJA, IDJA!!!!
_Mas... O que se passa, irmão?
_Idja, Idja! Corra, chame Lilith e Mellany, nós vamos pro abrigo! Já! – Desesperado, eu tentava não gritar ao ver aquela cena pitoresca.
_Mas... O que?


Meu irmão não teve tempo de presenciar a sala de comunhão de leitura, pintada com o sangue dos criados e decorado com tripas e corpos. Dois homens em pé, com armaduras azuis, cabelos reluzindo de vermelho com a luz das velas e do sangue morto em suas vestes. Por cima de suas armaduras cada um trazia um meio-manto de cavaleiro, cada um com um emblema de guerra diferente, o que dizia que cada um tinha um posto diferente. Um cavalo empinado mordendo uma espada dizia que este era um sanguinário, um guerreiro herético, líder dos grupos de batalha. O outro trazia duas mãos carregando uma foice e um martelo, o símbolo da igreja, o que mostrava que este era um Inerte baixo, provavelmente um Impetuoso ou um Nóduo. Os Impetuosos não tem obrigações tão rígidas, e os Nóduos são os braços e pernas da Igreja, vivem de fazer o trabalho sujo. Isso significava a morte para nós quatro se fôssemos encontrados.
Tal desgraça já era prevista: a morte das famílias reais, o fim da era de Krauter, a morte dos reis guerreiros. Uma profecia da época do Dexteriorum, proferida pela própria mulher que desenvolveu o caminho para o Dexteriorum, já era esperada há anos. Não acredito que sou o filho desta mesma profecia. Como uma fábula ou os contos sobre os grandes reis do passado, sempre há lendas para atormentar o presente dos homens. Vivíamos dentro daquele sonho, sonhado por uma sonhadora poderosa há muitos anos atrás.
Rogam os mendigos por aí, mais ou menos assim:


“A espada de Ista Qestu há de devorar os reis e seus reinos; todos estão fadados ao famigerado monstro que trará o fim. Apenas os quatro filhos do maior rei sobreviverão para dar início ao fim da era de reis, iniciando a era do grande Império”.


Mal conheço rei destes tempos que tenha quatro filhos. Há muito os reis decidiram, em um pacto, não permitir que haja famílias reais com apenas quatro filhos... Desde então os reis possuem várias cucumbinas para dar-lhes mais filhos sempre. Apenas o rei de Krauter tem quatro filhos, sempre duvidamos da veracidade desse número, mas já nos guarnecemos há muitos anos por tradição.

_És louco irmão? – esbravejou comigo a princesinha de olhos verdes.
_Mas não! Nem me julgue! Vamos ao alçapão, rápido! Há homens no castelo, acho que são ladrões.
_Como ladrões? Não disse que papai estava lá em baixo a queimar corpos da barbárie? Como ladrões passaram pela fortaleza? – Ichor sempre muito racional.
_Oras, de forma que é claramente possível que não tenham visto, se eles vieram do oeste Ichor, lá não tem muita visibilidade estas horas!
_Ah, deveras...
_Mas, irmão, maldito! Se isto for outra de suas peças, juro que... Que... – As ameaças da ruiva de três anos não eram tão ameaçadoras assim.
_Vou pegar suprimentos, vocês me esperem lá!
_Mas lá já há suprimentos irmão, você mesmo fez questão de que papai enchesse a dispensa ontem – Ichor, racionalmente idiota.
_É verdade, então vou pegar... Vou só checar a dispensa!
_O que vai fazer irmão? Estou assustada! – Mellany é quem sempre se assume com medo primeiro.
_Tudo bem, não são ladrões, são soldados, dois, mataram os criados e agora eu vou lá matá-los para vingar-nos tudo bem?
_Isso... É... Verdade, irmão? Porque se for... – As crianças do castelo eram muito acostumadas com a morte, famílias grandes e poderosas são, freqüentemente, alvo de afrontas e toda semana há notícias de morte na família. Lilith era quem mais se preocupava sobre essas mortes, apesar de não parecer.
_Não! Claro que não é! Estou dizendo isso para que vocês andem logo! Idja, Idja!
_Idja irmão! Não se demore então! – Ichor gostava de não entender nada.
_ESPERA! É verdade ou não? – Mellany, sempre curiosa.
_CLARO QUE NÃO!
_Ah, se assim tudo bem então. Mas o que vai fazer?
_Pegar as espadas – Minha cara de prazer ao dizer espadas é inevitável.
_Para que?
_Para cozinhar! Horas! Pra que se usam espadas? Pra nos defender caso seja preciso! Idja, Idja! Já perdemos tempo demás.
_Idja irmão. – Responderam em coro.

Desci as escadas correndo até o andar debaixo, o andar das nossas coisas. Havia um andar só para nossas roupas e instrumentos e todo tipo de coisa que usássemos. Cada um tinha seu próprio quarto e havia um quarto de comunhão, onde praticávamos aulas de esgrima e conhecimento de artes marciais. As escadas, desse lado da torre, eram daquelas totalmente feitas em pedra e com detalhes em metal na parede, que formavam um corrimão. As escadas davam sempre no corredor do andar e no fim dele havia a escada para o próximo andar e assim era por toda essa nossa torre norte.
A luz azul da Una entrava por filetes abertos para respirar. O corredor forrado com um manto roxo e prateado, feito em pedras contrastantes em preto e branco, havia candelabros a cada 10 passos, e caminhava-se sobre o veludo do pano roxo que cobria o chão e o teto. Nas paredes as “Inerciais”, esculpidas sobre pedra, eram nossos selos de proteção. A porta que dava acesso às salas era em pedra como se não houvesse porta ali, protegida com uma magia. A senha fazia a pedra se mover em várias direções, para cada palavra dita havia um movimento programado, de forma que se a senha correta não fosse dada corretamente a porta estaria completamente lacrada. Cada um tinha sua própria senha, que abria a porta a uma câmara diferente, a minha era:


_A, B, C, D, um, dois, três!


E assim o véu da porta se abre, ela se abre como uma janela cruciforme para mim, subindo e dando acesso ao corredor que tinha um piso liso e coberto de pó de pedra cinza; As paredes todas lisas e quadradas davam na porta, também quadrada, que era fechada com um véu negro que só se abria com outra senha. Havia um corredor central, com ladrilhos laranja e brancos, dispostos no chão e tapeçarias vermelhas com dourado nas paredes. Eu sabia disso, mas via os ladrilhos em azul e cinza e as tapeçarias em negro e prata, pela falta de iluminação.
O corredor dividia-se em três, formando um corredor em forma de cruz. No fim de cada extremidade, havia duas salas. Mellany e Lilith à direita, como as damas sempre ficam, à esquerda eu e Ichor. À frente, a sala secreta de papai e a sala comunal. Corri direto para a sala comunal e repeti minha senha pessoal. Havia um ar meio sarraceno, meio pesado em volta de mim. Eu podia sentir os homens nos andares abaixo, havia muita magia dentro dos meus ensinamentos e também dentro daqueles corredores. Eu podia sentir a magia divina, e a magia do sangue daqueles dois a quatro, talvez três andares abaixo.
Comecei a ouvir os passos na escada. Andei cautelosamente até o centro da cruz que formavam os corredores; se elevava acima de mim uma abóbada dourada com o símbolo de Krauter, “As maçãs do paraíso, atravessadas pela cruz e a espada” com as iniciais K e R em auto-relevo. A abóbada era para estar escura, ou prateada, mas curiosamente estava dourada. Perdi-me alguns segundos olhando-a e quando dei por mim já ouvia os passos se aproximando no corredor principal.
Sentei-me ali no meio da cruz, me desesperei, resolvi que era hora de ser cauteloso e me portar como um futuro membro da igreja. Pus meus conhecimentos à prova e comecei o ritual de invocação dos Sidhe. Nunca havia conseguido invocá-los, aparecem quando querem, mas aquela seria uma excelente hora para aparecerem! Os dois estavam presos no véu da entrada, mas eu sabia que não levaria muito tempo para que eles pudessem transpor a magia de entrada. Eu me distraí por alguns momentos pensando no que seria de mim se não conseguisse invocar os espíritos ancestrais, assim falhei ao invocar os espíritos Sidhe. Corri o mais rápido que pude e consegui chegar à sala comunal.
Ali dentro eu me sentia seguro, era uma porta de pedra, maciça. Era uma câmara hexagonal, em cada canto havia uma pequena fresta no topo que deixava pouca luz entrar. Tudo estava escuro, havia almofadas de várias cores no chão, mas eu as via todas cinza assim como os véus sobre os livros e as cortinas em fronte às pilhas de livros e roupas. Cuidadosamente armados ali havia dois palcos, um de lutas e um de atuações. Havia um grande baú com dois baús menores logo à minha frente. Eu sabia. Sabia que havia um grande baú em algum lugar. Mas naquela luz, só me lembro das posições e lugares de lutas. Vasculhei a parede à minha direita, tropeçando em roupas e cadernos com penas mal amontoados, procurei a chave nas frestas que consegui enxergar naquela péssima iluminação, procurei também por velas, mas não dou altura nos candelabros. Mal via para onde andava quando chutei algo mais duro que a parede e me deparei com o baú que procurava.
Com a chave, que achei dentro de um dos livros de feitiçaria escrito em gaulês, abri-o e me deparei com a minha espada e a espada de meu irmão. E o pêndulo de Mellany, o livro de desenhos de Lilith e um lugar vazio, onde deveria estar o escudo de Theron, meu irmão mais velho que está em viagem.
Comecei a ouvir as pancadas na porta, me tremi e tentei me controlar. Peguei as espadas, e os outros objetos encantados e coloquei estes numa bolsa. Empunhei as duas espadas e preparei meu espírito para não morrer ali. Logo o silêncio irrompeu meus pensamentos, minha mente se clareou e assim eu estava preparado para qualquer batalha. As batidas na porta cessaram, pensei que o pior estava por vir. Eu estava certo, senti um tremor rápido ecoando pelas paredes do castelo, quase me desequilibrei e então parou.
Ao fundo comecei a ouvir um uivo, assemelhava-se à música, um dos encantamentos mais travessos já inventado pelo homem; Ouvi dois baques surdos, como corpos caindo no chão e a música aumentando sua intensidade e força, eu me sentia encantado, era Ichor tocando. A música parou e pude ouvir apenas sua senha pronunciada, passando levemente pelas frestas de ar. A porta se abrira e os dois estavam caídos no chão com tímpanos estourados, deitados sobre poças de sangue.

_Vamos correr, logo eles acordarão da ilusão.
_Ah Ichor, toque aquela música que fizemos outro dia! – Eu já estava sobre seu terrível encanto musical.
_Cale-se! Idja, idja!
_Ah sim, mas toque, toque mais...

A melodia ecoou pelo castelo enquanto corríamos. Eu já não sabia o que era efeito da música e o que era apenas imaginação. Mesmo depois de parar de tocar, eu continuava sobre o efeito da melodia. Durante esse tempo não sei o que era real ou encantamento, minha memória falha fortemente nesse ponto do relato."

Fim do primeiro Pergaminho.

domingo, 16 de março de 2008

Dentro do olho dilatado



"Dies iræ, dies illa,
Solvet sæclum in favilla,
Teste David cum Sibylla

Dia da Ira, aquele dia
Em que os séculos se desfarão em cinzas,
Testificam Davi e Sibyla !"


Hoje, nos deitamos sobre camas macias, porque merecemos isso, nosso sangue e suor desenfreados insurgem ao nosso clamor de amor pelas batalhas. Meu treinamento se passou muito rápido, eu já sabia matar. Havia aprendido com Kasandra e os inumanos.
Nossos poderes estavam além da magia simples dos bruxos, dos rituais da Igreja Una, as crenças do Patolicismo ou dos encantamentos druídicos. Nossa missão era imbuída de grandes capacidades físicas e mentais, que suprimiam nossos desejos existenciais com o ardor irrefreável das batalhas, uma após a outra, e outra e outra. Temos o poder do sangue, que pulsa dentro de nós e chora por honra, sempre que vencemos. Vivemos de carne humana, inumana, animal, extraterrestre e de qualquer forma que se apresente para nós. Eu, homem rei, homem-de-venenos, inumano, homem vermelho, homem da areia, agora era um Cinema, um lutador das Liças.

O "Satélite Vjun" é o nosso palácio, 303 homens de comprimento de um portão até o outro. Visto do lado externo é uma construção magnífica, como uma pirâmide cinza e vermelha, fedorenta de sangue, de cabeça para baixo, encrustada na terra azul, com 33 homens de altura para fora da terra, tem 3 andares subterrâneos e 7 galerias que completam a arquitetura babilônica do grande coliseu das lutas. Suas paredes são feitas de minério seco, totalmente lisas, sem um encontro ou rachadura, como uma pedra lapidada, esculpida em metal sólido. Quatro grandes entradas, com portões duplos, de madeira vermelha de sangue, cada um virado para um ponto cardeal, marcado em auto-relevo com o brasão dos fundadores: Bakulla, Ngwindjië, Ogait e o próprio Melio Patrono, o último rei de chariur. Uma "Cicatriz entalhada sobre pavão" o símbolo de Bakulla, o tão conhecido "Doente contador de histórias" muito simpático e trevoroso de Ngwindjië, o nada de Ogait e a cruz e a espada de Melio, são de estremecer qualquer coração que já tivesse entrado naquele lugar.
A "pirâmide resvalecente" é conhecida popularmente como Arena Phirexiana, onde grandes nomes surgiram durante toda a história dos reinos. Elderon Alter, o rei que unificou as Badlands no maior reino de todos os contos, começou conquistando as massas sedentas por sangue, dentro da Arena. Broda Macht derrotou seus inimigos na Arena antes de entrar em guerra contra os reinos exteriores. El Aoqn e Kasandra são muito vistos pelas outras arenas, nunca os vi por aqui.
Nesses tempos comecei a vagar e conhecer grandes pessoas, minha mente divagava sobre pensamentos inexistenciais, sobre meu futuro e sobre o poder que eu desejava.
Lurya é minha parceira nas arenas, nós praticamente moramos no reino de krauter, praticamos e lutamos lá. Conhecemos muitas pessoas e fizemos muitas missões aliadas dentro do reino inimigo, freqüentando o palácio e a residência de Ichor. Conhecemos os irmãos reais, a última casa famigerada de sangue azul: Ichor, Mellany e a Branquela sem nome. Havia mais um, Theron, que havia se perdido nas entranhas do mundo. Fugiu da responsabilidade de ser um Impetuoso, o cargo mais comum da igreja. O relato da história destes irmãos é triste e me deixou consternado com a audácia de Theron ao fugir.
_A família Kith de Dauntain precisa de um líder forte, alguém que possa mandar e desmandar, estando certo ou errado, e que as pessoas o obedeçam.

_Ichor é meio fajuto... Até eu mando nele quando quero... às vezes. - A branquela irrompeu o silêncio depois de minha proclamação.
_Não é pra tanto. Mas é verdade que precisamos do ego de Theron. Urien I, O Grande Caçador era seu nome como rei interino, e os camponeses ainda acreditam que ele está em viajem tratando de casamento. Seu ego nunca o deixaria fazê-lo, divergir atrás de mulheres em detrimento do reino. Seu ego era tão grande que sustentava o reino falindo e conseguiu, mesmo novo demais para lagar das amas de leite, reerguer o reino e protegê-lo por 10 anos. - Ichor defendia o irmão pelas costas.
_Erm.... o.0 ainda não entendi direito como tudo isso aconteceu à vocês. Vocês são mesmo família real direta? Não dá pra acreditar.... mas se vocês dizem tal... - Lurya era uma mestra em diplomacia com esse tipo de pessoas.
_SIM! Nós somos a única família real de todo o país! Existe uma princesa em oth-hor, mas as pessoas de lá a devorariam viva se ela resolvesse abrir a boca para qualquer coisa. Somos a única família real de verdade. - Enfurecida, consternada, com seu ego machucado, Mellany dava o ar da graça nessa discussão.
_De qualquer forma precisam de Theron ;] talvez eu saiba onde possam encontrá-lo, mas isso só depende da vossa vontade de me recompensar generosamente, majestades.
_Sou o "encarregado", de qualquer forma. Diga o que queres, Bravo?
_Uma rainha.
[...]
Aquele momento ficou gravado em minha mente para sempre. A resposta foi nula. Não me lembro mais o que discutimos ou fizemos o resto do dia. Mas aquele silêncio secular foi mais que suficiente para me fazer entender onde era meu lugar. Segui minhas intuições e crenças. Fui convidado para uma festa de anos dos Kith, a família real e seus conselheiros e amigos íntimos. Mas não me lembro de nada mais. Só daquele silêncio devastador e arrepiante que cruzou minha espinha de cima a baixo, destrinchando cada polegada de minha consciência. O que eu era, o que eu queria? A quem estava pedindo isso? Porque?
E essa pergunta ecoou no silêncio. E no silêncio encontrei a morte. Minha consciência conheceu a vida novamente quando encontrei-me perdidamente apaixonado. Uma paixão louca desenfreada, vermelha, ardente e psicótica. As palavras de Sibyla me faziam delirar em uma loucura vil e muito bem estruturada. Por um mês perdi meu tempo com tais encantamentos. Aquele desejo de tê-la não existia, as palavras e versos proferidos por sua pequena boca me exaltavam mais do que a emoção de tocar-lhe os seios fartos. Eu era sua marionete, seu invólucro protetor. Era todo o tempo para ela. Quando num choque de consciência, recebi novamente a visão.
Renasci, amei muito. Por muito pouco tempo. Em morte, vi no outro mundo os desejos secretos das mentes loucas dos deuses. Tive por uma fração de piscar de olhos o que era planejado para o meu destino. Soube naquele instante que eu poderia mudá-lo. De uma paixão engatinhei a outra. Lurya me encantava, e eu a desejava. Mas eu estava morto.
Quando retornei à consciência, percebi um lapso temporal. Eu havia criado dentro de mim um outro ser. Haviamos dois de mim, um morto e um renascido, e eu, morto, não conseguia falar nada audível às pessoas. Mas ELE ouvia meus gritos de pânico, ouvia tão altos que raras vezes eu conseguia tomar o controle e despojar sobre o mundo o poder das minhas cordas vocais e de minhas lágrimas de morte e de desespero.
Toda a farsa que eu havia criado, agora era contra mim e eu não podia fugir dela. Fugir dela era a morte definitiva de corpo e aeon. E eu simplesmente não podia fugir. Como fugir de mim mesmo?
Por meses eu vivi apenas acumulando forças para quebrar aquele selo e remover a mentira estampada em minha face traiçoeira. Todos os dias de minha vida eu me duvidava sobre o que fazer de mim. Até que comecei a duvidar de mim mesmo, e comecei a me perder. Cheguei ao ponto de não saber se eu era a máscara que eu havia criado ou se eu era o criador.
Vivi sem viver por logos meses. Até que Revora se mostrou um grande companheiro.
Lurya havia penetrado tão profundamente em meu coração, enquanto eu lutava contra mim mesmo, que antes que eu pudesse perceber já a amava mais que a minha própria vida. Foi Revora que me salvou novamente. Eu podia conversar com ele sobre qualquer coisa.
Entre um acesso de loucura e outro, eu começava a entender melhor as mentes alheias. Eu agora recebia a Visão sempre, como um sexto sentido sobre quase tudo que acontecia ao meu redor. Eu tinha medo de mim mesmo. Mas acima de tudo, eu tinha medo de amar.
Daqui em diante eu era uma nova pessoa, e como uma nova pessoa, uma nova perspectiva de visão. Eu começava a julgar as pessoas de outra maneira e assim, construía meu caráter.
Meu ego não era mais nada. Eu não tinha mais uma rainha, havia perdido meu trono. Eu não poderia mais ser nada na vida, pensei. Mas Revora me fez perceber que eu poderia tomar meu reino de volta.
Nada poderia me impedir de realizar tal feito. Eu era novamente Urien I, o Grande Caçador.
E como tal, agora eu era Rei das Lutas de Liças.
Nunca houve desafio que eu não conseguisse vencer com meu ego. Eu precisava dele, pois só metade de mim vivia e meu ego preencheria a outra metade, enquanto mantinha afastado o amor por Lurya. Taad se aproximou de mim e disse:
_Estou com você, conte comigo, meu amigo.
Então finalmente comecei a entender o que fazer com a amizade.

"Oro supplex et acclinis,
cor contritum quasi cinis,
gere curam mei finis.

Oro-te, rogo a Ti de joelhos,
com o coração contrito em cinzas,
cuide do meu fim."

_ do hino: Dies Irae, Thomas de Celano

segunda-feira, 3 de março de 2008

Megatério de Cinzas


"Você precisa lutar para sobreviver. As guerras são os melhores períodos da vida de um homem. As guerras de amor, as guerras por conquistas em dinheiro, por conquistar respeito." _Melio Patrono, Pai dos 4 filhos da profecia.

"Nossas histórias falam sobre um salvador do reino das maçãs, um homem cujo poder inigualável traria a paz. Nós entendemos que vamos confiar em alguém, e dar a ele todos os poderes, por todos os meios possíveis que nós conhecemos para que possamos colocá-lo no poder e retirar o governante que crê mais na fé pagã que na nossa religião da felicidade. Nada contra o nosso querido rei Ichor, mas devemos espalhar a notícia deste modo. Os reinos externos pretendem nos invadir novamente, e as Badlands e Oth-Hor estão formando muitos guerreiros trabalhados nas liças, em lutas de vida ou morte, que não tem nada a perder. Se nós não unificarmos todos os reinos, seremos dizimados e a história de krautreich e da religião Una será esquecida pelos tempos. Isso é que não podemos deixar acontecer" _Caopo Paollo, Gotho Ard Avis (Catedrático do Sol de Avis)


Ao criar vínculo com aquela terra, a terra se acostumou comigo ali. Eu podia penetrar em seu seio, em seus genitais, fazer sexo com a mãe terra e obter o prazer da vida ali. Mas isso não é suficiente para um humano, percebi eu. Os Inumanos de Oth-Hor buscam isso durante toda sua in-vida mas a mãe terra é para eles como parte integrante de seus corpos e aeons, eles não conseguem aceitá-la como uma amante. Então os magos poderosos criam suas parceiras direto do ventre da terra;
El Aoqn o fez.
Do veio da terra surgiu Revora; Ele era o lutador de liças mais talentoso que já tinha visto. Também foi o primeiro que vi lutar e vencer. A cada canto dos reinos civilizados encontra-se uma arena de combates. Das trevas surgiram os pit-fighters. Liderados por Bakulla e Ngwindjië, tornaram as artes da lâmina as mais belas. A sombria facção Cinema Vermelha de Bakulla tinha como membros grandes nomes das liças como o próprio Revora, Lurya, a feiticeira, Qmelya, a troncuda, Dego, o faqueiro, Hardos, o impecável. Nada foi mais indescritível do que quando entrei para o mundo das lutas.

_Fekmah, esse é meu nome.
_Sou Beltane. Vago por estas terras à procura dos Cinemas.
_Você não os encontrará por aí. Eles são invisíveis.
_Mas eles lutam nas liças, encontrarei-os lá.
_Eles não lutam nas liças. Eles são os donos das liças. Eles não precisam lutar mais.
_Mas, o que você faz?
_Sou amigo deles.
_Me leve até eles!
_Não posso. Não sei onde estão. Simplesmente não sei.
Comecei a desenvolver uma profunda raiva. Não queria mais estar ali, eu não sabia mais o que eu fazia ali. Meu caminho se enchia de sombras, havia uma pequena estrada e eu a seguia montado em uma shakafta que ouvia minha canção viajante. Segui os fiordes do tempo avançando pelo espaço e logo encontrei missões viajantes. Fekmah era um deles. Ele desapareceu da minha memória nesse momento. Então fui até o grande salão das Vídias, no centro das terras do deserto. Com aquela shakafta eu poderia ir por todos os lados por esse reino e conseguir chegar a qualquer um dos Budhas, os reinos subterrâneos. A viagem era cansativa, grãos de areia dourada cortava minha pele, penetravam nela e me transformavam num homem-areia. Meus pensamentos eram perdidos, estranhos e não lineares. Eu sonhava com poeira mágica, poeira branca, poeira que faz o ser se perder na luz dos pensamentos devassos. Essa shakafta encantada era meu único luxúrio, minha única amiga e meu único perjúrio.
A única pessoa com quem eu tinha contato era uma viajante que passava todos os dias onde eu acampava. Nos víamos, discutíamos todos os assuntos sobre todas as coisas do mundo, ela ia até algum lugar, onde eu só me atrevi a ir uma vez e fiquei preso por 3 dias lá sem comida, e voltava com mercadorias. Ela estava sempre coberta com as peles dos homens-areia, mas ela era deliciosamente tentadora. Ela me contava sobre artistas que conhecia, e eu arrepiava até as unhas por isso. Seu sexo exalava o odor da perdição e eu a desejava. Mas não conseguia contar a ela. Quando insinuei que talvez ela pudesse passar uma noite em meu acampamento ela não voltou a aparecer em minhas memórias naqueles dias. No 29º dia ela me deixou.
Passei 32 noites ao relento procurando pelo Cinema nas casas de pedra. As moradias pareciam vivas durante o dia e mortas durante a noite. Mas nada de vida vivia ali. Comecei a formar miragens, sobre as coisas que li nos livros: Vampiros, fadas, magos, lobisomens, múmias, contadores de histórias, artistas, escultores. Tudo isso me assustava. Os deuses me assustavam. E eu comecei a me perturbar com isso. Eu via vultos e sombras de monstros, não conseguia durmir, eu acompanhava a lua em todo seu trajeto, então, enquanto a Lua e o Sol não estavam no céu, eu me cansava demais e desmaiava, e acordava aos primeiros raios mais fortes de sol. Eu me dei conta que eu era um perdido e que morreria ali. Eu era bom demais com as pessoas, eu era fácil demais com os outros, deixei-me levar por tantos. Eu não entendia porque ela não me queria, eu derrubava uma árvore por dia só com a força do desejo por ela. Pensei então que morreria pra sempre, sozinho. Tive a visão de que morreria intocado. E a visão despertou forte em mim. Então conheci Revora.
No 33º dia eu vi sombras se movimentando à noite. Eu estava o tempo todo num descampado, de tempos em tempos eu via algumas casas de pedra, dentro da própria pedra lascada e descapada. No 33º dia eu estava sob uma grande árvore acinzentada com galhos negros e retorcidos, exalava um cheiro de sangue meio metálico. Escorria pela árvore um sangue negro, que escorria tão lentamente que eu pude contar metade de um dia. Eu estava disfarçado, encoberto pela pele dourada da shakafta, como ouro e prata lado a lado. Eu via sombras se movendo, no 33º dia. Só as sombras passando pelo chão como se fossem fantasmas feitos apenas pela negra reação contrária à luz. Comecei a ouvir um estalido que crescia, formando um som distinguível aos meus ouvidos de homem-areia. Era algo parecido com o som do pensamento se transmitindo em mentes sombrias e enevoadas. Um tambor começa a soar e a névoa carrega as notas de uma sensação noturna, tão soturna e obscura quanto o próprio Cinema Vermelho, parecia um lamento, ou um grito de guerra daquelas sombras andantes. Eu vi um corpo listrado, vestido em calças de couro se aproximar e virar sombras junto com os outros. Corri.
Assim que comecei a me aproximar me senti preso, pelos galhos da árvore. Me esmagando contra o chaõ. No instante seguinte estava eu a metros de distância. E eu imaginava que tais poderes eram magos, ou vampiros, ou talvez pior, podiam ser artistas! E se fossem os magos pagãos, os druídicos ou taumaturgos? Me enchi de auto-confiança, esqueci de minhas miragens. Fui direto à frente deles e parei. A 30 passos de mim, eles fizeram minha condução desaparecer no ar. Areia agora só amarela, perdera seu brilho mágico da noite. A névoa vinha logo atrás cobrindo todo o descampado de terra rachada.
Saquei minha espada da bainha, recuei dois passos. Minha respiração era decidida, mas meu coração já se preparava para o embate que poderia ser mortal. A 10 passos de mim, meu cabelo e todos os pêlos de meu corpo se eriçaram, minhas pernas se eriçaram, e eu passei a levitar sem controle. A névoa, como em uma tempestade, começa a girar, tomando uma forma negra e amarronzada depois vermelha. Era Revora. Uma fumaça cinza circulava seus pés como uma pulseira. Seu rosto como um ovo negro, cheio de tatuagens sobre a pele opaca e vermelha. Ele estava sem camisa e só de calças de couro também, como o outro.
Eu estava agora a apenas 5 passos deles, as sombras tomando formas. Cada um de uma cor mais particular, todos sem camisas ou qualquer proteção acima da cintura. Revora trazia uma garra metálica na orelha, tatuagens negras sobre o corpo vermelho-morto. Ele estava logo à direita de Bakulla, um monstro cinza, rajado de branco. Bakulla carregava consigo a Podridão Mornicular, uma espécie de cetro dos pit-fighters, que ele usava em lutas, feito de pedra com metal, parecia minério cru e com uma lâmina na ponta. As formas dos outros eram totalmente distintas. Revora era reconhecível por seus óculos e as três pontas de sua cabeça, para trás. Bakulla era grande, forte, robusto, nojento e desprezível. Seus dentes todos prateados brilhavam com a luz da lua num azul claro embaçado pela gosma que ele secretava pela boca.
_Aska, warxa morina! - O que faz espionando o Cinema Vermelho, estranho?
_Sou homem-areia, as douradas cobras correm em minhas veias, assim como todos os venenos conhecidos.
_Parece que te conheço de algum lugar, já lutamos? - Revora perguntou com uma expressão menos amigável.
_Não, nunca, busco o Cinema Vermelho há 33 dias e quero me juntar a vocês. - Pensei que fossem rir de mim.
_Não se junta ao Cinema, você é escolhido pelo Cinema e é guiado até ele. Se você pôde nos encontrar é porque recebeu o chamado. Mas muitas pessoas que recebem o chamado, principalmente homens, (analisando-os bem, eram todos inumanos de Oth-Hor ou dos reinos ocultos das Badlands) não são suficiente para nós.
_Que eu lute e faça meu nome nas liças então, ó grão lorde Bakulla.
_Você só estará preparado para a luta se souber vencer com a sua mente antes.
_Eu tenho muito a ensinar a vocês, seres das sombras. Minha mente é mente aberta pelos pais celestiais...
_Ninguém aqui segue seus pais celestiais que só ajudam na hora das necessidades. Seguimos a Realidade de Azatustra. Somos mestres pagãos, cada qual com sua cidade sobre domínio. Nós somos os deuses, as profecias e os livros de nossas cidades natais. Cada qual compreende seu próprio império. Assim é feito nas terras cinzentas. Em Oth-Hor, terra dos grandes e maiores cavaleiros de todos os tempos, hoje nós não temos mais comida para dividir com os cavalos, que nós já comemos, por isso vivemos de lutar nas liças. - Todos responderam num uníssono
_Pra quê tanto trabalho de lutar nas liças? Porque não entram em algum trono que os mereça?
_Se matamos nosso inimigo, temos direito de enterrar o corpo. É assim que sobrevivemos sem comida, sem plantaçao. Há anos que os raios do sol e as colunas do tempo esqueçeram do nosso reino. Nunca mais é dia, nunca mais é noite. É sempre cinza, todas as cores são cinza, todas as pessoas são cinzas, tudo vira cinzas em Oth-Hor. - Metade se dispersou em névoa, fazendo o som das suas vozes ecoar por todo o reino até as bordas do castelo da Rainha Da Garganta de Ouro.
_Então o que preciso fazer pra fazer parte do Cinema?
_Queimar até virar cinzas.
Eu era parte de um mundo de sombras e fumaça pesada, eles entraram pelos meus pulmões, senti cada pedaço de dentro de mim morrendo e queimando, finalmente virando cinzas. Quando chegou ao meu cérebro, desmaiei.


"A parte mais difícil da mudança não é deixar para trás ou criar uma nova identidade, mas ter a certeza que mudar não é permanente, mas a mudança é." _Geddy Lee.

"Meu ritual de iniciação entre os poderosos do reino esquecido foi o mais doloroso que já passei. Em meses me tornei outra pessoa, com outra visão do mundo, outra concepção de idéias, outra narrativa na minha vida. Lutei, morri, queimei, saqueei e aprendi a tocar um instrumento. Conheci artistas, conheci pessoas, tive contato com irmãos de outra civilização. E só assim meus temores fugiram por um pouco. Ainda tremo só de pensar como as pessoas conseguem dominar-te apenas com música, são talvez os seres mais poderosos que conheço, os artistas." _Theron Elbeath, Rei sob as árvores deicídicas