segunda-feira, 28 de abril de 2008

2º pergaminho: Ascenção



Depois de muito tempo conseguimos reunir mais peças do quebra cabeças. Theron se refere a si mesmo como um irmão mais velho, que não existe, em uma passagem do primeiro pergaminho. Não entendemos ainda porque. Depois de ler o segundo pergaminho entendo os motivos da fuga. Entendo finalmente todo o poder daquele jovem rei.

"Por fim, as luzes da noite encerravam o vale das pedras. Fogueiras ardendo enquanto nuvens encobrem a Una (Lua), e os Fal-Ardei(vaga-lumes) iniciavam uma cerimônia de batismo sobre os campos de Devos, nas pequenas cinzas fagulhantes e revoantes.
Caminhamos por algum tempo nos túneis, e o efeito musical finalmente havia cessado. Podia sentir os dois soldados que nos perseguiam há poucos metros de distância dentro do túnel. Não me lembro quando passamos pela entrada, uma porta secreta aberta só com o sinete real e as palavras mágicas certas. O túnel passava por debaixo do fosso, havia infiltração de água e quase nenhuma iluminação. Parecia um buraco de minhoca-gigante, mal feito e tortuoso, escavado em terra e pedra. Havia algumas tochas no caminho e algumas bifurcações a serem seguidas com cautela, pois havia armadilhas para os desavisados. Mas os Inerciais não tem problemas com isso, eles podem sentir os aeons das pessoas a certas distâncias... Ouço dizer que os Avis podem sentir todo e qualquer ser vivo dentro do país. Corremos desesperadamente até a saída próxima, onde Mellany e a Branquela já nos esperavam. Dei um passo na frente e me assumi rei, liderei o grupo colina acima em direção à floresta; Onde talvez estivéssemos seguros.
_Idja, Idja! Ou vossas majestades preferem se postar sobre o trono derradeiro? – ordenava o novo rei em um tom melancólico e cansado.
_Menos, calma lá! Uff... nós não temos essa vontade que tu tens para subir estas colinas correndo sob pesada chuva... – retrucou o irmão mais velho, deposto do trono segundos antes da cerimônia de nomeação do novo rei.
_Não me mande ser tu, ó senhor rei! Uhhh... minha pessoa não se pôs a estudar esgrima nas horas vagas! – treplicou a princesa de esmeralda
_Ah! Mal vira rei, e já quer mandar! Não suporto você irmão! – tetraplicou a princesa branca.
A desgraça tomava conta daquela noite fatídica como um galope rasante,dançando sobre a sepultura de nossos pais. Arís (o fogo) queimava a vida, a colheita, tanto ardente e imenso como fogo de Dragão, carbonizando a carne, transfigurada em cinzas e fumaça da queda do reino. A derrota eminente das forças do rei de Dauntain contra os Autericos e os Externos era de forma honrada, com uma tremenda batalha de proporções épicas. Os outros reinos tinham inveja da grande capacidade de Krautreich produzir mais alimentos e não precisar dos outros reinos para nada. O desenvolvimento de Krautreich sempre foi invejado e duramente atacado pelos reinos vizinhos e sua cobiça. Havia muita história por trás de tudo isso. Finalmente a história vitoriosa do Reino das Maçãs chegava ao fim. Ou não, se eu pudesse evitar. Corremos até a mata e pudemos ver os soldados em uma batalha árdua. Havia muita fumaça e fogo sobre os campos, Autéricos em seus cavalos, os Externos com suas máscaras negras e sua tecnologia e domínio sobre o fogo. Os Dauntain defendendo sua honra com suas grandiosas estratégias de batalha e armas mais trabalhadas e mais resistentes. Pude ver os dois Inerciais saindo do buraco, há 30 metros de distância de nós. Dessa vez eu não poderia falhar. Concentrei-me. Nada me veio à mente. Parei e me ajoelhei: supliquei aos espíritos que nos ajudassem. Fechei os olhos e comecei minha prece. Senti o ar movimentando-se e um calor próximo a mim, quando abri os olhos vi os Sidhe, os espíritos do mundo, as fadas, os elfos, os duendes. Eram as criaturas mais belas quais já tinha visto. E num instante foram embora. Seus corpos eram pura energia brilhante, brilhando em todas as cores... envoltos numa aura vermelha, quase flamejante, pareciam guerreiros élficos das lendas, com seus escudos em forma de elipse e suas espadas-chicote. Cabelos longos ao vento e uma armadura sobre manto esvoaçante. As cores variavam frenéticamente piscando e reluzindo contra a luz da lua... eles eram translúcidos como contavam as lendas, simplesmente atravessaram os corpos dos dois e carregaram seus aeons para a terra. Logo vi que estávamos seguros, por enquanto. Me virei e vi a Branquela meditando com seu pêndulo, envolta em névoa, como toda a floresta. Não havia mais Ichor nem Mellany. Então enxerguei uma luz, e outra e mais outra. Eram os joani. Corri até eles já com planos em mente.
_Quantos... eram... os cavaleiros... que chegaram? – Perguntou o rei, cansado, ao encontrar com seus conterrâneos escondidos na mata.
_Ah garoto... não se deve meter nesses assuntos de guerra não! Os reis que briguem pra lá! Eu sou só um joani assim como todos os outros! – a primeira resposta que ouvi.
_Sou o rei destas terras agora, meu pai faleceu em combate e desejo saber se foi um combate honrado ou de desigualdade entre as forças. De tal modo que exigirei vingança imediata para aqueles que se utilizaram de artimanhas desonrosas na batalha para derrubar o rei de Krauter. – respondeu o rei num tom meio áspero pra um garoto de 7 anos, mas ainda pouco ameaçador para aqueles joani.
_Ah, claro vossa majestade! Os cavaleiros chegaram em um número aproximado de 100. Daí a noite caiu e apareceram outros deles e outros e outros. No final parece que eles eram pelo menos 3 vezes mais numerosos que o Kith. – Respondeu um homem com cara e cheiro de quem cuidava de cavalos.
_Então foram desonrosos e merecem a força da minha vingança!
_Talvez, mas disseram que o Krauter os provocou antes...
_Mas... – um trovão ressoa no ar e torna o som do resto da frase totalmente surdo.
_Sim, vossa majestade tem toda razão!
_Como podes provar que és o rei? – um camponês mais esperto indagou-me.
_Veja o símbolo real em minhas vestes sujas de barro... e... em minha trança! Veja minha espada real!
_Salve vossa majestade! Estes outros pequenos são vossa corte?
_Sim, meus irmãos... – a conversa ia num tom tranqüilo demais para um panorama de guerra - Tomem conta destas crianças, protejam-nas no fim das árvores! – dei a ordem para meus súditos em um tom de pompa real.
_RUS! Vossa majestade! Como queira!
O simples terror dos Autéricos batalhando em seus cavalos ao lado dos Externos com suas possantes bestas e engenhos à vapor era suficiente para amedrontar todos os cidadãos das redondezas. Estavam todos ali, reunidos, assistindo ao massacre na depressão em torno do castelo como se não tivessem resquícios do nosso sangue real em suas veias. Eu precisava acordá-los e levá-los para a batalha, para a retomada do castelo.
_As forças noturnas aumentam meu poder, e se estou poderoso o reino e meus vassalos também estão! – Gritei com toda a força de meus pulmões cansados e molhados.
_RUS! RUS! – gritou a massa de volta.
_Mostremos a eles o nosso Ouro! Porque os Krauters são tão temidos e não podem ser vencidos nunca na história!
_RUS! RUS! – gritaram mais e mais vozes.
_Peguem tudo que puderem e preparem teus aeons para a vitória!
_RUS! RUS! – quase toda a massa gritava empunhando seus instrumentos de trabalho, desde facões e garfos de feno até tocos de madeira e pedras.
_Glória nas mãos do rei...!
Um momento de silêncio mortal. A brisa noturna cruzando o ar e cortando as árvores, sibilando com um cheiro de fogo. A resistência , quase nula, ainda mantinha ocupados os fortes guerreiros que restaram no campo de batalha.
_Qual o seu nome meu rei? – Indagou um camponês mais sabido.
_Desde que assumi o trono, percebi que minha função nesse mundo é basicamente caçar. Meu nome então é Urien I, O Grande Caçador!
_RUS! RUS!
A massa, disposta em formação de batalha, se mantinha em um círculo perfeitamente disperso. Sobre a colina Deva, eles se postavam aguardando o garoto rei comandar com toda sua sabedoria.
_Como é que atacamos, sábio velho joani? – perguntei por inexperiência em combates reais.
_Oras meu senhor! Tu ordenas...
_E vocês atacam com essas foices, martelos e garfos contra os cavalos deles?
_É meu senhor! Não parece muito sensato, mas veja! O senhor tem uma espada! Uma arma real é uma Arma Fatal!
_É verdade! Bem lembrado velho! Eu tenho uma espada! E tenho sete anos! Será que saberei manejá-la corretamente?
_Nunca treinou esgrima senhor?
_Sim, mas usamos galhos, como sabres. É, sei, digo, devo saber manejá-la sim...
_Mas claro que sim! Os reis nascem sabendo!
_Mas nasci para ser Inerte (membro da igreja)
_Mas agora que és rei, os celestes hão de lhe fornecer o poder oras!
_Ah, sim, claro! Só queria saber se poderia confiar em meus homens! Mas o que acontece se antes – um relâmpago esverdeado corta o céu – alguém nos – o trovão amargo rugiu alto – ATACAR!?
_ATACAAAAAAAAAAR! RUS, RUS! – A massa joani correu pela colina em direção às torres de fogo que cresciam até os céus.
E o rei, não entendendo a manobra de combate de correr dispersos pelo campo, bradiu sua espada pequena para o nada e disparou a correr apenas depois que seu medo de morrer foi embora.
Tamanha era a força dos camponeses que derrubavam os cavalos, com seus garfos, e os cavaleiros, com grandes toras de madeira presas ao chão como estacas. As torres alaranjadas erguiam-se até acima das nuvens, a fumaça e a neblina dançavam em volta da batalha épica. Saí correndo em disparada gritando e bradindo a espada de meu irmão, que ressoava e amplificava minha voz por todo campo de batalha.
_É Urien, o rei menino! – Anunciou o velho sábio.
Era um tipo de depressão comprida que compreendia cerca de 10 áreas do castelo. Havia muitas fogueiras de corpos, quase todo o exército de ambos os lados já havia caído. Uma imensa floresta amarronzada cercava aquela grande clareira onde o castelo ficava, foi pra lá que os camponeses fugiram ao primeiro sinal de guerra.
Empunhava a espada, cercado por luzes que brilhavam em várias cores, principalmente em verde. Era alguma mágica celeste, com toda a certeza. Eu era pra ser Inerte, era pra eu ter alguma benção.
_O que é aquilo meu senhor? – Indagou um dos cavaleiros com armadura, provavelmente um dos generais.
_Um fato celestial, só pode! Um garoto com uma adaga brilhante! Só pode se tratar de uma Arma Fatal, abençoada pelos pais celestes! Matem-no, coisas raras assim não deviam estar em posse de crianças, ainda mais durante uma guerra! – Respondeu o poderoso rei Auter III.
O contingente reduzido de cavaleiros agora marchava, desvencilhando-se facilmente da hábil formação dos camponeses. Praticamente sozinho, o garoto não temia os soldados treinados, com lanças e armaduras. Tanto não temia como não corria mais, estava parado à espera de seus engalfinhadores.
_Bravos sois vós que não temeis a fúria de um rei que vê o pai morto. Ficarei engrandecido após derrotar todos de vós e me deleitar com seus olhos para minha coleção. – Gritava o rei, em tom duvidoso e infantil.
_Salve jovem rei! Tuas palavras são ásperas, mas tua vontade é fraca e sois minoria! – Retrucou o conselheiro real de Auter.
_Tenho uma espada! Isso mais que me basta! Mesmo que tivesse apenas meus punhos e pés derrotaria vossas forças, já que sou rei e recebo diretamente as graças divinas.
_Ah pequeno! Eu também sou Rei! Dado que temos a mesma força e tenho mais homens, tu não tens chance.
_Teu poder é equivalente à sua responsabilidade para com seu reino. Dadas as circunstâncias, eu detenho todo o poder de vencê-los, camaradas. Sozinho. Pois se assim foi me dada essa missão pelos deuses, assim recebo o poder deles para concebê-la.
_Teu pai faleceu, e com vários homens.
_O destino de meu pai era este. E o meu é eliminá-los."

Assim foi segundo o conto. O pergaminho acaba aqui. Ichor nos contou como o garoto bravamente lutou e quase foi morto por 13 cavaleiros e 4 Externos lançadores de fogo. Salvo por uma benção dos deuses. E essa história é amplamente explorada e exagerada no terceiro pergaminho, o pergaminho do fogo.

"Não gaste seu tempo, ou o tempo vai gastar você" _Matthew Bellamy

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